Escritor Nelson Gimenes

Na identidade dos juruás (homem branco) sou Nelson Dario Gimenes Ferreira e para o meu povo Mbya Guarani me chamam de Karai Mirim (que significa “pequeno guerreiro sábio”).

Escritor Indígena Nelson Gimenes

Eu nasci na Argentina, na aldeia Kunha Piru (Mulher Magra) e desde cedo a vida me levou a conhecer muitos lugares. Já morei no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e hoje estou vivendo no Rio de Janeiro, na aldeia Sapukai, onde sigo caminhando e aprendendo a cada dia. Conclui o Ensino Funcamental dos brancos com êxito e comecei sem terminar o Ensino Médio. Confesso que a escola dos brancos confundiu minha cabeça porque para meu povo o importante é aprender O Bem Viver. Nessa Escola do Bem Viver, somos matriculados quando nascemos e nos formamos quando Nhanderu (Deus) nos chama. Que é o que faz mais sentido para mim.

Sou uma pessoa que gosta de escrever. A escrita pra mim não é só palavras no papel, é um jeito de guardar memórias, sentimentos e também de fortalecer a cultura Mbya Guarani. Minha mãe se chama Maria Estela Gimenes e meu pai João Ferreira. Minha família sempre esteve comigo nessa caminhada, assim como os aprendizados que carrego da vida.

Eu gosto de explorar o mundo, conhecer o que tem além do que já vi, mas sem nunca esquecer das minhas raízes. Esse é o caminho que escolhi: seguir o meu coração.

Nelson Gimenes

Hoje tenho sido orientado pela Vanessa Syrio do Mangue Shrine – Pessoas Saudáveis, Cidades Seguras que é referência em saúde mental e identidade existencial. A Vanessa é aluna do médico indiano Maitreya Dadashreeji e juntos os dois estão transformando o meu sonho de ser escritor em realidade.

FLIM 2025

Essas e muitas outras pessoas, como o Luiz Cláudio Rocha Jardim – autor de contos e poesias sobre justiça estão valorizando o que escrevo. Isso me dá força para lidar com a parte prática da vida e esperança de manter viva a minha espiritualidade. É assim que vou crescendo e aprendendo com cada passo, cada pessoa, cada experiência.
Quero agradecer também ao Fazedor de Cultura Cagério por tudo que ele faz todos os anos pela FLIM. Vai ser bom conhecer mais pessoas que querem conhecer a verdadeira história do Brasil através dos livros que estou escrevendo.

Essa terra que nunca foi e nunca será de ninguém, porque somos nós quem somos da Mãe Terra. É uma ilusão acreditar que somos donos de algo tão maior do que a gente.

Até a próxima FLIM 2026! Haeveté (Obrigado)!

Abaixo um pedacinho da minha participação na Oitava Feira Literária de Mambucaba: